OPINIÃO: O NÃO DIREITO AOS BAHÁ’ÍS NO IRÃ

OPINIÃO: O NÃO DIREITO AOS BAHÁ’ÍS NO IRà

Prof. Dr. Sylvio Fausto Gil Filho, do Departamento de Geografia – da UFPR

7.747 fotos com os rostos das 7 lideranças bahá’ís presas desde 2008 no Irã, são fincadas nas areias da Praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, durante manifestação contra a intolerância religiosa no Irã em 19 de junho de 2011.
Há diversas razões para os cidadãos brasileiros se preocupem com o destino dos bahá’ís no Irã. Principalmente no que se refere à negação do direito a educação aos jovens bahá´ís. Além da própria solidariedade individual àqueles que sofrem alguma forma de perseguição e que são vitimados por motivos de consciência e fé há a necessidade de nos posicionarmos enquanto nação livre na garantia e consecução desses direitos humanos universais. Pois pelo julgamento da história o silêncio diante da injustiça com os outros é a negação dos nossos próprios direitos.
O cerceamento ao acesso a educação por qualquer motivo, talvez seja, uma das maiores violências que um Estado pode fazer ao seu cidadão. Entretanto, não estamos testemunhando as impossibilidades ou as incompetências dos governos em garantir esse direito. Existe sim uma ação deliberada, legalmente registrada, contra o acesso à educação da maior minoria religiosa de um país.
Na história recente não lembro de que um dispositivo legal impeça um grupo, por motivos de opção religiosa, de exercerem este direito fundamental. Somente regimes totalitários de exceção foram capazes de legalizar injustiças.
A Fé Bahá’í é, sem dúvida, a maior minoria religiosa do Irã com mais de 300 mil adeptos que o governo iraniano insiste em não reconhecer. Desde o início, em 1844, os bahá’ís sofrem perseguição. No ano passado em relatório a Comunidade Bahá´í Internacional denuncia a campanha sistemática na mídia do Irã que da os contornos dessa perfídia. Foram coletados mais de 400 itens em um período de 16 meses que apresentam imagens de difamação, perjúrios e uma tentativa de demonizar a história da Fé Bahá´í.
A mais recente nota desse processo é bem descrita pela negação da certidão de óbito de Zeinad Ghorbani à sua família, ocorrida este ano de 2012. Nesse ato os dirigentes iranianos impediram o seu enterro na cidade de Mashad. Além desse ignóbil fato outros se somam como a do estudante Naim Baghi expulso da Universidade por ser bahá´í ou de Bashir Ehsani que foi inquirida pela Corte Revolucionária de Teerã sob acusação de perturbar a ordem publica participando de reuniões bahá’ís e de possuir uma antena parabólica na sua casa.
Uma nação pode ser julgada pela forma que trata suas minorias quer étnica ou religiosa, pois é através do reconhecimento da alteridade é que é possível à liberdade.
Lembrando as palavras do pastor Martin Niemöller (1892-1984) que se tornaram célebres sobre os anos que imediatamente antecederam a 2ª Grande Guerra:
“Quando (…) levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era socialdemocrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”.
Fonte: www.gurupionline.com.br/jornalismo/index.php?pg=noticia&topico=197