Administração Bahá’í

casaun

Sede da Casa Universal de Justiça – Órgão supremo da Administração Bahá’í – Monte Carmelo – Haifa – Israel

A administração Bahá’í foi criada pelo próprio Bahá’u’lláh, que revelou seus princípios e apontou suas instituições. ‘Abdu’l-Bahá, por Sua vez, como Intérprete Autorizado, definiu sua forma e estabeleceu suas bases. Coube ao Guardião, Shoghi Effendi, estabelecê-la definitivamente em escala mundial, colocando em funcionamento as instituições delineadas nos Escritos Sagrados de Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá.

Não existe sacerdócio na Fé Bahá’í, nem qualquer tipo de profissionalismo religioso. A ordem administrativa é incorporada pelos próprios membros da comunidade, homens e mulheres das mais variadas profissões e atividades. O ascetismo, o monasticismo, a mendicância e a confissão de pecados são proibidos. Não há ninguém com autoridade individual sobre a comunidade, ou com o direito de perdoar em nome de Deus.

A base da administração são conselhos de 9 membros eleitos a nível local, nacional e internacional. As eleições são secretas e são totalmente proibidos quaisquer tipos de apontamento ou indicação de nomes. Também não existe nenhuma forma de candidatura, campanha eleitoral, partidos, facções ou chapas. No dia das eleições os Bahá’ís se reúnem e, após as orações, são preenchidos os votos. Todos os Bahá’ís com mais de 21 anos, independentemente de sua classe, raça ou educação, podem votar e ser votados. Os nove nomes que obtiverem o maior número de votos constituem o corpo administrativo em questão. Segundo o nível em que atuam, estes corpos denominam-se:

  • Assembléia Espiritual Local: corpo administrativo de nove membros eleito anualmente em 21 de abril em toda cidade, vila ou distrito onde residem pelo menos nove Bahá’ís.
  • Assembléia Espiritual Nacional: corpo administrativo de nove membros eleito anualmente em Convenção Nacional composta por representantes delegados pelas comunidades. Os delegados são eleitos previamente, em Convenções Regionais.
  •  Casa Universal de Justiça: corpo administrativo de nove membros eleito pelos membros de todas as Assembléias Espirituais Nacionais do mundo. Atualmente estas eleições, realizadas em Convenção Internacional, efetuam-se  cada cinco anos.

Além das instituições eleitas, existem instituições nomeadas. Estas, ao contrário dos corpos eleitos, não possuem autoridade administrativa. Suas funções são eminentemente educacionais, dirigidas para o ensino e a proteção da Comunidade Bahá’í. Constituídas por elementos com profundo conhecimento da Fé Bahá’í, atuam como conselheiros, oferecendo sugestões e planos de ação. São elas:

  • A Guardiania: suprema instituição nomeada. O Guardião da Fé Bahá’í, Shoghi Effendi Rabbani, faleceu em 1957 sem deixar sucessor. Sua nomeação havia sido feita por ‘Abdu’l-Bahá, Intérprete Autorizado dos Ensinamentos Bahá’ís.
  • As Mãos da Causa de Deus: pessoas apontadas por Bahá’u’lláh e Shoghi Effendi com as funções de ensino e proteção da Fé.
  • Corpos Continentais de Conselheiros: compostos por pessoas apontadas pela Casa Universal de Justiça com as funções de ensino e proteção.
  • Corpos Auxiliares: pessoas apontadas pelos Conselheiros Continentais e pelas Mãos da Causa de Deus para auxiliarem no trabalho de ensino e proteção.

Processo decisório

O processo decisório na administração Bahá’í tem como base o princípio da “Consulta”. A Consulta é de extrema importância não apenas para as deliberações internas dos corpos administrativos, mas para qualquer outro assunto a ser analisado nas comunidades Bahá’ís. Na Consulta todos têm o direito de expor suas opiniões, idéias e sugestões, em espírito de completa sinceridade, amizade e desprendimento. A decisão da maioria, quando não há unanimidade, é acatada com espírito de total colaboração. Uma vez tomada a decisão pela maioria ela passa a ser a decisão de todos, sendo os Bahá’ís exortados a valorizarem mais o consenso do grupo do que a sua opinião própria, evitando o egoísmo e o egocentrismo.

Reuniões

Entre as diversas oportunidades de reunião de que dispõem as comunidades Bahá’ís, as “Festas de Dezenove Dias” representam uma ocasião especial. Realizadas no primeiro dia de cada mês Bahá’í (que tem 19 dias) constituem-se de três partes: devocional, administrativa e social. Na primeira, são lidas orações e seleções de Escritos Sagrados. Na segunda a Assembléia Local apresenta seus relatórios de secretaria e financeiro, e estimula os Bahá’ís à Consulta relacionada com as atividades locais. É a principal ocasião de contato entre a Assembléia e a comunidade pela qual é responsável. A terceira parte é dedicada à confraternização e ao entretenimento social.

Calendário

O Calendário Bahá’í inicia no ano de 1844 do Calendário Gregoriano, com a Declaração da Missão do Báb. O ano Bahá’í inicia no equinócio vernal, 21 de março, e é composto de 19 meses com 19 dias cada. Existem ainda 4 ou 5 “Dias Intercalares” que precedem o último mês do ano, durante o qual é realizado o jejum, com a abstenção de comidas e bebidas desde o nascer até o pôr do Sol. Existem nove dias sagrados anuais durante os quais o trabalho deve ser suspenso. São eles: o dia do Ano Novo (Náw-Rúz – 21 de março), Declaração da Missão do Báb (23 de maio), Nascimento de Bahá’u’lláh (12 de novembro), Nascimento do Báb (20 de outubro), Ascensão de Bahá’u’lláh (29 de maio), Martírio do Báb (9 de Julho), Declaração da Missão de Bahá’u’lláh (21 de abril), Nono dia do Festival do Ridván (29 de abril) e Décimo segundo dia do Festival de Ridván (2 de maio).

Alicerce financeiro

As atividades e iniciativas Bahá’ís a nível local, nacional e internacional são realizadas através de contribuições feitas pelos próprios seguidores da Fé. Essas contribuições são estritamente pessoais, confidenciais e voluntárias. Não são aceitas contribuições de pessoas que não sejam bahá’ís declarados, sejam governos ou indivíduos, a não ser para fins filantrópicos. Cada Assembléia mantém controle dos gastos e a comunidade é informada, em todas as Festas de Dezenove Dias, da situação dos fundos e da destinação dos gastos.