‘Abdu’l-Bahá

Abdul

‘Abdu’l-Bahá  (1844-1921)

‘Abbás Effendi (1844-1921), que mais tarde adotou o título de ‘Abdu’l-Bahá (O Servo da Glória), foi o filho mais velho de Bahá’u’lláh, A Glória de Deus (1817-1892), Fundador da Fé Bahá’í.

Antes de falecer, Bahá’u’lláh designou ‘Abdu’l-Bahá como o único “Intérprete Autorizado” de Seus ensinamentos, o “Centro do Convênio”, ao qual todos os Bahá’ís deveriam se voltar para guia e orientação. A função de ‘Abdu’l-Bahá como líder da comunidade Bahá’í e Intérprete dos ensinamentos de Bahá’u’lláh foi alvo de oposição por parte de alguns parentes e outras pessoas, mas, graças a Sua explícita nomeação por Bahá’u’lláh, cuja autoridade era reverenciada, ‘Abdu’l-Bahá foi capaz de vencer as intrigas que durante algum tempo dificultaram Seu trabalho. Graças às Suas incessantes exortações, orientações e apoio, a unidade da comunidade Bahá’í foi mantida, isenta de qualquer sectarismo ou divisão. Também graças à Sua atuação, a Fé Bahá’í foi pela primeira vez amplamente difundida no ocidente, onde já contava com alguns seguidores.

‘Abdu’l-Bahá acompanhou de perto todos os sofrimentos do Pai, estando sempre a Seu lado nos 40 anos de cativeiro durante os quais foram sujeitados a quatro exílios. Em ‘Akká, destino final dos sucessivos aprisionamentos, ‘Abdu’l-Bahá dedicou-se integralmente ao cuidado dos assuntos da comunidade Bahá’í, servindo de intermediário entre Bahá’u’lláh e o mundo, desta forma permitindo a Seu Pai dedicar-se totalmente à Revelação das Sagradas Escrituras Bahá’ís. Durante este período Bahá’u’lláh compôs alguns dos mais importantes textos sagrados da Fé, inclusive a epístola ao Papa e o Kitáb-i-Aqdas, “O Livro Mais Sagrado” da Revelação Bahá’í, repositório de Suas Leis.

Quando a Revolta dos Jovens Turcos, em 1908, restituiu a constituição ao Império Turco e libertou todos os prisioneiros religiosos (entre eles ‘Abdu’l-Bahá) e políticos, uma nova etapa da história Bahá’í seria iniciada. ‘Abdu’l-Bahá, que, durante os anos de aprisionamento havia realizado tão grandes tarefas como a construção do Santuário do Báb no Monte Carmelo, a construção do primeiro Templo Bahá’í, no Turquestão russo e a coordenação dos interesses de uma comunidade que circundava o globo, agora, em liberdade, empreenderia uma série de longas viagens pelo Ocidente, durante as quais a Mensagem de Bahá’u’lláh foi pela primeira vez grandemente divulgada pelos órgãos de informação pública e apresentada a grandes platéias.

Entre agosto de 1909 e agosto de 1911 ‘Abdu’l-Bahá viveu no Egito, permanência que foi prolongada devido à Sua saúde bastante debilitada. Uma vez recuperado, partiu, em agosto de 1911, para Sua primeira viagem de ensino à Europa, visitando a Inglaterra e a França. Regressou ao Egito em dezembro de 1911, depois de um imenso trabalho de divulgação da Fé, em que realizava até três palestras diárias. Em 11 de Abril de 1912, ‘Abdu’l-Bahá chegou em Nova Iorque para uma estada de nove meses, durante a qual visitaria os Estados Unidos, de costa a costa, e o Canadá, realizando uma proclamação como até então jamais fora feita. Foi recebido com honrarias por altas autoridades civis, militares e religiosas, fez palestras em sinagogas e igrejas proclamando a unidade de todas as religiões e a paz mundial; conviveu com os pobres e necessitados e abriu uma nova perspectiva de mundo para os que O ouviram. Em dezembro de 1912 partiu mais uma vez para a Europa onde, com uma repercussão ainda maior do que da primeira vez, divulgou a Mensagem de Deus transmitida por Bahá’u’lláh. Visitou a Inglaterra, França, Alemanha, Áustria e Hungria. Em dezembro de 1913 voltou à Terra Santa, onde veio a falecer em 28 de novembro de 1921, tendo, em 1920, recebido o título de “Cavalheiro do Império Britânico” por Seus serviços em prol da paz e da fraternidade entre os povos.

Como Intérprete Autorizado dos Ensinamentos Bahá’ís, ‘Abdu’l-Bahá desempenhou uma importante missão dentro da história Bahá’í. Graças à posição concedida a Ele por Bahá’u’lláh, a possibilidade da formação de seitas na Fé foi eliminada.

Apenas as interpretações feitas por Ele e pelo Guardião, que recebeu d’Ele a continuidade da tarefa, são autoritativas, impedindo a divisão e o sectarismo. Porém, por mais destacada que tenha sido a posição de ‘Abdu’l-Bahá, é totalmente errado dizer que Ele tenha “transformado” ou “aprimorado” a Revelação de Bahá’u’lláh. Seu papel foi de Expositor e Intérprete de ensinamentos que já se achavam estabelecidos por Bahá’u’lláh, nas centenas de obras que escreveu. ‘Abdu’l-Bahá, através de Suas viagens ao Ocidente, pôde demonstrar o caráter universal da Mensagem de Bahá’u’lláh, mas de forma alguma foi Ele quem lhe concedeu este caráter. Ele, ‘Abdu’l-Bahá, apenas apresentou ao mundo o que jazia oculto nos ensinamentos Bahá’ís. Jamais modificou a base da Mensagem de Bahá’u’lláh, apenas apresentou-a em sua plenitude.

Em Sua “Última Vontade e Testamento”, ‘Abdu’l-Bahá nomeou Seu neto, Shoghi Effendi Rabbani, o “Guardião da Causa de Deus” a quem conferia a continuação do trabalho de interpretação dos ensinamentos e de guia da comunidade Bahá’í. Graças também a este Testamento a ordem administrativa criada por Bahá’u’lláh foi claramente apresentada e seus princípios e mecanismos foram definidos.

‘Abdu’l-Bahá deixou um legado de vários livros e milhares de epístolas (mais de 16000) que, junto com os Escritos do Báb e de Bahá’u’lláh, constituem a Literatura Sagrada da Fé Bahá’í. Está sepultado no Santuário do Báb, no Monte Carmelo, Haifa Israel.


Referências

ASSEMBLÉIAESPIRITUALNACIONAL DOS BAHÁ’ÍS DO BRASIL, Fé Bahá’í Verbetes e Errata. Porto Alegre: Dp. Bahá’í de InformaçãoPública, 1982.