Abraão

ur
Cidade-Estado Suméria de Ur – Templo conhecido como Ziggurat.

 

“O Fundador do monoteísmo foi Abraão; é a Ele que remonta esse conceito, e a doutrina era corrente entre os Filhos de Israel mesmo nos dias de Sócrates.”

(Seleção dos Escritos de ‘Abdú’l-Bahá p. 35)

“Abraão foi um dos que possuíram esse poder e foram por ele amparados. Nasceu no país de entre-rios (Mesopotâmia), de uma família que nenhum conhecimento tinha da Unidade de Deus. Ele se opôs a Seu próprio povo, até mesmo à Sua própria família, com o repúdio a todos os deuses em que acreditavam. Sozinho, e sem apoio, resistiu a uma tribo poderosa – ato nem simples, nem fácil. Era como se alguém em nosso tempo fosse a um povo cristão, um povo devotado à Bíblia, e negasse Cristo; ou, na Corte Papal – Deus me perdoe! – blasfemasse violentamente contra Cristo, em oposição a todos os circunstantes.

Aquele povo não acreditava em um só Deus, mas em muitos deuses, aos quais atribuía milagres. Por isso, levantaram-se todos contra Ele, menos Lot, filho de seu irmão, e duas ou três outras pessoas sem importância. Finalmente, reduzido à completa miséria pela oposição dos inimigos, Abraão teve que sair da terra natal. Na verdade, expulsaram-No para que fosse destruído, esmagado, e Dele não restasse nenhum traço sequer.

Veio, pois, Abraão para o solo da Terra Santa. Os inimigos haviam pensado que Seu exílio seria Sua destruição, Sua ruína, pois lhes parecia impossível um homem ser desterrado, privado de seus direitos, oprimido por todos os lados, e ainda escapar ao extermínio – mesmo sendo rei. Abraão, no entanto, manteve-se inabalável, demonstrando uma firmeza sobrenatural, e Deus fez esse exílio tornar-se causa de Sua honra eterna, pois Ele estabeleceu a Unidade de Deus em meio a uma geração politeísta. Em conseqüência do exílio, os descendentes de Abraão vieram a ser poderosos, e a Terra Santa foi-lhes concedida. Ainda como resultado disso, os ensinamentos de Abraão foram largamente disseminados, surgindo entre os Seus pósteros um Jacob, e um José, que foi regente do Egito. E mais outra conseqüência do exílio: um Moisés, e um entre como Cristo, surgiram de Sua posteridade, bem como, ainda nesta, encontrou-se Hagar, de quem nasceu Ismael, de quem descendeu, por sua vez, Muhammad. São igualmente da descendência de Abraão os profetas de Israel, e também o Báb. (1) E assim há de continuar para todo o sempre. Finalmente, como resultado de Seu exílio, a Europa inteira e a maior parte da Ásia vieram abrigar-se à sombra do Deus de Israel.

Vemos que grande poder foi esse, graças ao qual um fugitivo de seu país conseguiu fundar semelhante família, promulgar tais ensinamentos, e estender tão longe a fé divina. Poderá alguém dizer que isso tivesse ocorrido acidentalmente? Devemos ser justos: este homem foi um educador, ou não?

Se o exílio de Abraão, de Ur a Alepo na Síria, produziu tamanho resultado, qual será o efeito do exílio de Bahá’u’lláh, e de Suas inúmeras peregrinações: de Teerã a Bagdá, daí a Constantinopla, à Romélia, e à Terra Santa?

Que educador perfeito foi Abraão!”

(‘Abdú’l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas p. 16)

“Nada existe maior ou mais abençoado do que o Amor de Deus! Dá cura aos enfermos, bálsamo aos feridos, alegria e consolação ao mundo inteiro, e através dele pode o homem alcançar a Vida Eterna. O Amor de Deus é a essência de todas as religiões, é o fundamento de todos os sagrados ensinamentos.

Foi o Amor de Deus que guiou Abraão, Isaac e Jacó, que fortaleceu José no Egito e deu coragem e paciência a Moisés.

Através do Amor de Deus, Cristo foi enviado ao mundo com Seu inspirador exemplo de perfeita vida de sacrifício e devoção, trazendo aos homens a mensagem da Vida Eterna. Foi o Amor de Deus que deu a Muhammad o poder de levar os árabes de um estado de degradação animal a uma condição de existência mais elevada.

O Amor de Deus foi que sustentou o Báb, O levou ao supremo sacrifício e fez do Seu peito o alvo voluntário para mil balas. Finalmente, foi o Amor de Deus que deu Bahá’u’lláh ao Oriente e está agora enviando a luz do Seu ensinamento para o distante Ocidente, e de pólo a pólo.

Assim, eu exorto cada um de vós, a que, compreendendo seu poder e beleza, sacrifique todos os pensamentos, palavras e ações, a fim de levar o conhecimento do Amor de Deus a todos os corações.”

(Palestras de Abdú’l-Bahá em Paris p. 11)