Moisés

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Sobre Moisés, Bahá’u’lláh afirma:

(…) veio o tempo de Moisés. Armado com a vara do domínio celestial e adornado com a nívea mão do conhecimento divino, procedendo do Paran do amor de Deus e manejando a serpente do poder e da majestade eterna, Ele brilhou do Sinai da luz sobre o mundo. Chamou todos os povos e raças da terra para o reino da eternidade; convidou-os a participar dos frutos da árvore da fidelidade. Sabeis, certamente, da violenta oposição feita pelo Faraó e seu povo, e das pedras da vã fantasia jogadas pelas mãos dos infiéis sobre essa abençoada Árvore. A tal ponto, que o Faraó e seu povo se levantaram, finalmente, e fizeram o máximo esforço para extinguir, com as águas da falsidade e negação, o fogo dessa Árvore sagrada, esquecidos do fato de que nenhuma água terrena pode apagar a chama da sabedoria divina, nem vento mortal extinguir a lâmpada do domínio eterno. Não, outro efeito essa água não terá, senão o de tornar ainda mais intenso o ardor da chama, e esse vento nada fará senão assegurar a preservação da lâmpada – se apenas observásseis com olhos que discernem e andásseis no caminho da santa vontade de Deus e de Seu beneplácito. Como disse bem um dos fiéis, um parente do Faraó – cuja história é narrada pelo Todo-Glorioso em Seu Livro revelado a Seu Amado – quando observou: “E disse um homem da família do Faraó, que era crente mas ocultava sua fé – Quereis matar um homem por dizer que meu Senhor é Deus, quando já veio com sinais de vosso Senhor? Se for um mentiroso, sobre ele cairá sua mentira, mas se for homem da verdade, uma parte daquilo que ele ameaça haverá de cair sobre vós. Em verdade, Deus não guia quem é transgressor, mentiroso.-” (8) Finalmente, tamanha foi a iniqüidade deles, que esse mesmo crente sofreu uma ignominiosa morte. “Que a maldição de Deus esteja sobre o povo da tirania.”
E agora ponderai essas coisas. Que teria causado tão grande contenda e conflito? Por que é que o advento de todo verdadeiro Manifestante de Deus tem sido acompanhado de tamanha contenda e tumulto, de tão grande tirania e transtorno? E isso, não obstante o fato de que todos os Profetas de Deus, sempre que se manifestavam aos povos do mundo, prediziam, invariavelmente, a vinda de outro Profeta depois deles e estabeleciam os sinais que haveriam de prenunciar o advento da futura Era. Disso, todos os Livros Sagrados dão testemunho. Por que, então – a despeito da expectativa dos homens em sua busca dos Manifestantes da Santidade e apesar dos sinais registrados nos Livros Sagrados – foram perpetrados, em todos os ciclos e tempos, tais atos de violência, opressão e crueldade contra todos os Profetas e Escolhidos de Deus? Assim mesmo como Ele revelou: “Todas as vezes que vos vem um Apóstolo com aquilo que as vossas almas não desejam, vos inchais de orgulho, acusando alguns de serem impostores e matando a outros.” (9)
Refleti: Qual teria sido o motivo de tais atos? Que teria causado tal conduta para com os Reveladores da beleza do Todo-Glorioso? Qualquer coisa que tivesse motivado, em tempos idos, a negação e oposição daqueles povos, concorre agora para a perversidade do povo desta era. Alegar haver sido incompleto o testemunho da Providência, tendo sido isso o que tivesse causado a negação da parte do povo, nada mais é que blasfêmia patente. Quanto estaria longe da graça do Todo-Generoso e pouco em harmonia com Sua providência benévola e Sua terna compaixão, escolher dentre todos os homens uma alma para guiar Suas criaturas e, por um lado, negar-lhe o testemunho divino em sua plenitude e, por outro, infligir severo castigo a Seu povo por se haver afastado de Seu Escolhido! Não, em todos os tempos, as múltiplas graças do Senhor de todos os seres têm abrangido a terra e todos os que nela habitam, através dos Manifestantes de Sua Essência Divina. Nem por um momento sequer, negou Ele a Sua graça; jamais as chuvas de Sua benevolência cessaram de cair sobre a humanidade. Tal conduta, pois, não pode ser atribuída senão à mesquinhez dessas almas que caminham no vale da arrogância e do orgulho, que se perdem na solidão do afastamento, se guiam por sua própria vã fantasia e seguem aquilo que ditam os dirigentes de sua fé. Sua preocupação principal é apenas a oposição; seu desejo único, desprezar a verdade. Para todo aquele que observe com discriminação, é claro e evidente que, se essas pessoas no tempo de cada um dos Manifestantes do Sol da Verdade tivessem santificado os olhos, os ouvidos e os corações de tudo o que haviam visto, ouvido e sentido, não teriam sido privados, certamente, de ver a beleza de Deus, nem se teriam desviado para longe das moradas da glória. Havendo, porém, pesado o testemunho de Deus segundo o padrão de seu próprio conhecimento derivado dos ensinamentos dos expoentes de sua Fé, e tendo verificado que estava em desacordo com a interpretação limitada deles, essas pessoas se levantaram para cometer tais atos indignos.
Os expoentes da religião, em cada era, têm impedido seu povo de atingir as plagas da salvação eterna, por haverem detido firmemente em suas poderosas mãos as rédeas da autoridade. Alguns por cobiça de poder, outros por falta de conhecimento e compreensão, privaram o povo desse bem. Por sua autoridade e sanção, todo Profeta de Deus sorveu do cálice do sacrifício e alçou vôo para as alturas da glória. Que crueldades indizíveis não infligiram essas autoridades e esses eruditos aos verdadeiros Monarcas do mundo, àquelas Jóias da virtude divina! Contentes com um domínio transitório, privaram-se de uma soberania eterna. Assim seus olhos não contemplaram a luz do semblante do Bem-Amado, nem seus ouvidos escutaram as suaves melodias da Ave do Desejo. Por essa razão todos os Livros Sagrados mencionam os sacerdotes de cada época. Assim Ele diz: “Ó povo do Livro! Por que és incrédulo dos sinais de Deus de que tu mesmo foste testemunha?” (10) E diz mais: “Ó povo do Livro: Por que vestes a verdade com a mentira? Por que escondes, intencionalmente, a verdade?” (11) E diz ainda: “Dize, ó povo do Livro, por que motivo desvias os crentes do caminho de Deus?” (12) Evidentemente, o “povo do Livro” que desviou seus semelhantes do caminho reto de Deus não se refere senão aos sacerdotes da época, cujos nomes e caracteres foram mostrados nos livros sagrados e aos quais aludiram os versículos e as tradições neles registrados – se fordes observar com os olhos de Deus.
Com olhar fixo e constante, oriundo dos olhos infalíveis de Deus, contemplai detidamente o horizonte do Conhecimento Divino e considerai aquelas palavras de perfeição que o Eterno revelou, a fim de que talvez se vos tornem manifestos os mistérios da divina sabedoria, os quais se ocultaram, até agora, debaixo do véu da glória e estavam entesourados no tabernáculo da Sua graça. O que motivou, na maior parte, os protestos e negações desses dirigentes religiosos, foi sua falta de conhecimento e de compreensão. Jamais compreenderam ou sondaram aquelas palavras proferidas pelos Reveladores da beleza de Deus, Uno e Verdadeiro, as quais apontam os sinais destinados a anunciar o advento do futuro Manifestante. Ergueram, pois, o estandarte da revolta e instigaram malícia e sedição. Obviamente, o que, de fato, significam as palavras das Aves da Eternidade, não se revela senão àqueles que manifestam o Ser Eterno; e às melodias do Rouxinol da Santidade, nenhum ouvido atingirá, a não ser o dos habitantes do reino imperecível. O tirano copta jamais participará do cálice tocado pelos lábios do septa da justiça, e o Faraó da descrença não poderá esperar reconhecer jamais a mão do Moisés da verdade. Assim mesmo como Ele diz: “Ninguém sabe o que significa isso, a não ser Deus e aqueles que possuem conhecimento profundo.” (12a) E, no entanto, quiseram receber daqueles envoltos em véus a interpretação do Livro, recusando buscar na fonte primitiva do conhecimento, sua iluminação.

Bahá’u’lláh, Kitab-i-Iqán – O Livro da Certeza. Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1977 p. 110
(9) Alcorão 2:87.
(10) Alcorão 3:70.
(11) Alcorão 3:71.
(12) Alcorão 3:99.
(12a) Alcorão 3:7.

 

MOISÉS E O CONHECIMENTO DA VONTADE DE DEUS

O nome de Deus é formado no Tanach por consoantes que não podem ser pronunciadas. É o Tetagrama Sagrado.

Elohim, Deus, Javé, Jeová, Adonai são nomes substitutos como o Senhor, Todo-Poderoso, o Pai. Javé, em hebraico, 

HWHY.

O Tanach conservou apenas as quatro consoantes do nome de Deus. Esse nome que vem do verbo ser, pode ter três significados:

(1) Eu sou quem eu sou,

(2) Eu sou aquele que é,

(3) Eu sou quem eu serei.

” Ouça, Israel! Javé nosso Deus é o único Javé.
Portanto, ame a Javé seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma e com toda a sua força.
Que estas palavras, que hoje eu lhe ordeno, estejam em seu coração.
Você as inculcará em seus filhos, e delas falará sentado em sua casa e andando em seu caminho, estando deitado e de pé.
Você também as amarrará em sua mão como sinal, e elas serão como faixa entre seus olhos.
Você as escreverá nos batentes de sua casa e nas portas da cidade. (Dt 6,4-9)”

PRINCÍPIOS DA ALIANÇA COM DEUS

1. Moisés convocou todo o Israel e disse: “Ouça, Israel, os estatutos e normas que hoje eu proclamo aos seus ouvidos, para que os aprendam e cuidem de praticar:
2. Javé nosso Deus fez uma aliança conosco no Horeb.
3. Javé não fez essa aliança com nossos antepassados, mas conosco, que hoje aqui estamos, todos vivos.
4. Javé falou com vocês, face a face, sobre a montanha, do meio do fogo.
5. Eu estava entre Javé e vocês, para lhes anunciar a palavra de Javé, pois vocês ficaram com medo do fogo e não subiram à montanha. Javé então me falou:
6. ‘Eu sou Javé seu Deus, que o tirou da terra do Egito, da casa da escravidão.
7. Não tenha outros deuses diante de mim.
8. Não faça ídolos para você, nenhuma representação do que existe no céu, na terra ou nas águas que estão debaixo da terra.
9. Não se prostre diante desses deuses, nem os sirva, porque eu, Javé seu Deus, sou um Deus ciumento: quando me odeiam, eu castigo a culpa dos pais em seus filhos, netos e bisnetos;
10. e trato com amor, por mil gerações, quando me amam e guardam os meus mandamentos.
11. Não pronuncie em vão o nome de Javé seu Deus, porque Javé não deixará sem punição aquele que pronunciar o seu nome em vão.
12. Observe o dia de sábado, para santificá-lo, como ordenou Javé seu Deus.
13. Trabalhe durante seis dias e faça todas as suas tarefas.
14. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé seu Deus. Não faça trabalho nenhum, nem você, nem seu filho, nem sua filha, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem qualquer um de seus animais, nem o imigrante que vive em suas cidades. Desse modo, seu escravo e sua escrava poderão repousar como você.
15. Lembre-se: você foi escravo na terra do Egito, e Javé seu Deus o tirou de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que Javé seu Deus ordenou que você guardasse o dia de sábado.
16. Honre seu pai e sua mãe, como Javé seu Deus lhe ordenou, para que sua vida se prolongue e tudo corra bem para você na terra que Javé seu Deus agora lhe dá.
17. Não mate.
18. Não cometa adultério.
19. Não roube.
20. Não dê falso testemunho contra seu próximo.
21. Não cobice a mulher do seu próximo, nem deseje para você a casa do seu próximo, nem o campo, nem o escravo, nem a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo’.
22. Foram essas as palavras que Javé dirigiu em alta voz a toda a assembléia de vocês reunida no monte, do meio do fogo, em meio a trevas, nuvens e escuridão. Sem nada acrescentar, Javé as gravou sobre duas tábuas de pedra e as entregou a mim. (Dt 5,01-22)

OUTROS TESTEMUNHOS DO TANACH

A Deus pertencem os pilares do mundo. Sobre eles Ele colocou a terra . . . (1Sm 1,2-8)

Que minha língua se cole no céu da boca caso eu não louve Jerusalém com toda a minha alma! (Sl 137,6)

Javé me disse: eu coloquei minhas palavras na sua boca! (Jr 1,9-10 )

Vou dispersá-lo entre as nações ( Lv 26,33 )

Aquele que dispersou Israel o reunirá de novo. (Jr 31,10 )