Báb

casadobab

 

casa do Báb em Shiráz

INTRODUÇÃO

A Pérsia do século XIX evidencia um período de decadência sem paralelo. Segundo CURSON (1892) apud SHOGHI EFFENDI (1989):

O governo do país era (….) um Church-State (Estado Eclesiástico). Por venal, cruel e imoral que fosse, formalmente era religioso. No mais, não havia leis, estatutos ou diretrizes para guiar a administração dos assuntos públicos. Não havia Câmara de Lordes nem conselho privado, nenhum sínodo, nenhum parlamento. O Xá era déspota e seu governo, arbitrário, refletindo-se em todos os níveis oficiais, através de seus ministros e governadores, desde o mais humilde funcionário até o mais remoto chefe tribal. Não existiatribunal civil para corrigir ou modificar o poder do monarca ou autoridade que ele se dignasse delegar aos subordinados. Se havia alguma lei, era a sua vontade. Ele podia fazer o que lhe aprouvesse. (p.12)

Iran

Neste contexto histórico foi o despontar da Revelação do Báb. Sem dúvida, a Escola Shaykhí foi o campo de preparo de alguns dos futuros discípulos mais seletos do Báb. Com o falecimento de Siyyid Kázim (31 de Dezembro de 1843), sem apontar sucessor, instaurou-se certa confusão entre shaykhís. Segundo SMITH (1987) foi esta situação que propiciou o despontar gradual de uma nova religião que cujo arauto não era outro senão um dos principais discípulos de Siyyid Kázim, Mullá Husayn Bushrú’í (1814-49). Mullá Husayn e outros shaykhís passam a seguir um desconhecido mercador de Shiráz, Siyyid ‘Alí Muhammad Shírází (1819-50), que baseia Sua autoridade messiânica como o Báb (O Portal) para o Imame Sagrado, seus seguidores passam a ser conhecidos como babís.

Siyyid ‘Ali-Muhammad (1819-1850) foi o Manifestante de Deus e Precursor da Fé Bahá’í.  O Báb proclamou ser o Qá’im (“Aquele Que Se Levanta”) prometido aos muçulmanos, cuja vinda introduziria uma nova era para a humanidade. Além de fundar uma religião independente, a Fé Babí, o Báb afirmou que Sua principal missão era anunciar a breve manifestação daquele  Manifestante de Deus prometido por todas as religiões, e que seria responsável pela unificação da humanidade.

Os ensinamentos do Báb enfatizavam a interpretação não-literal das profecias e estabeleciam o conceito de que todas as religiões reveladas foram transmitidas por Deus à humanidade, adaptadas para a época em que surgiram. Também ensinava a igualdade de direitos para os homens e mulheres e condenava os preconceitos.

A Mensagem do Báb causou grande repercussão, e tanto Ele quanto Seus seguidores foram alvos de perseguição e violências. O Báb foi aprisionado em vários locais, sendo finalmente fuzilado em Tabríz, em 1850, por um pelotão de 750 soldados. Após Sua morte, mais de 20000 de Seus seguidores foram martirizados.

Em 1863, Mírzá Husayn ‘Ali (1817-1892), conhecido como Bahá’u’lláh (“A Glória de Deus”), um dos mais destacados discípulos do Báb, proclamou ser “Aquele Que Deus Tornará Manifesto”, o Grande Manifestante de Deus anunciado pelo Báb e pelos manifestantes do passado.

Quase a totalidade dos seguidores do Báb abraçou a nova Revelação, passando a denominar-se Bahá’ís.

1) FONTES PRIMÁRIAS

1.1. Qayyúmu’l-Asmá ( Comentário da Surata de José): Revelado em árabe e começada na mesma noite da Declaração do Báb ao Seu primeiro discípulo Mullá Husayn na noite do dia 23 de maio de 1844.
Segundo BAHÁ’U’LLÁH (1977) “o primeiro e mais poderoso de todos os livros..”

1.2. O Bayán.Árabe: revelado em Máh-Kú, no mesmo período que o Bayán Persa “…menor e menos grave que o Bayán Persa”(SHOGHI EFFENDI, 1981).
1.3 O Bayán Persa, Foi revelado no cativeiro do Báb revelado em Máh-Kú no Azerbaijão (1847). Segundo SHOGHI EFFENDI (1981):
Dentro das paredes da mesma fortaleza (Máh-Kú), foi revelado o Bayán (Exposição) – aquele repositório monumental das leis e preceitos da Nova Era, e o tesouro que encerrava a maior parte das referências e dos tributos do Báb “Aquele que Deus tornará manifesto”, bem como Sua advertência a Seu respeito. este Livro-ímpar entre as obras doutrinais de nove Vahíds (Unidades) de dezenove capítulos cada,…
…completamente salvaguardada contra a interpretação e corrupção sofridas por tantas obras menores do Báb – esse Livro, de aproximadamente oito mil versículos, que ocupa uma posição central na literatura babí, deve ser considerado primariamente um elogio do Prometido em vez de um código de leis e preceitos destinado a ser um permanente guia para futuras gerações. Esse Livro, a um tempo, ab-rogou as leis e cerimônias ordenadas no Alcorão que tratavam de oração, jejum, matrimônio, divórcio e herança, e sustentou em sua integridade, a crença na missão profética de Muhammad, do mesmo modo que o Profeta do Islã, antes Dele, anulara os preceitos do Evangelho e, no entanto, reconhecera a origem Divina da Fé de Jesus Cristo. Interpretou, além disso, de modo magistral, o significado de certos termos que ocorrem freqüentemente nos Livros Sagrados de Eras anteriores,…(pp. 59-60).
1.4 Comentário da Surata de Kawthar: revelado em Shíráz durante três entrevistas do Báb com Siyyid Yahyá Dárábí (Vahíd).
1.5 Comentário da Surata de Va’l-‘Asr: revelada em Isfahán a de Mirzá Siyyid Muhammad, o Sultánu’l-‘Ulamá, Imám-Jum’ih daquela cidade.
1.6 Dalá’il-i-Sab’ih, (As Sete Provas) revelado em Máh-kú.
1.7 Epístola à Muhammad Sháh e Hájí Mirzá Áqásí: Primeira Epístola foi revelada em seguida ao Comentário da Surata de José. A segunda Epístola foi revelada dois anos depois. em Máh-Kú (1847 ou 1848).
1.8 Khasá’il-i-Sab’ih
1.9 Kitáb-i-Asmá (O Livro dos Nomes)
1.10 Kitáb-i-Panj-Sha’n
1.11 Kitábu’r-Rúh
1.12 Lawh-i-Hurúfát (Epístola às Letras) revelada em Chihríq dirigida a ‘Dayy’án, um proeminente oficial de grande conhecimento.
1.13 Risáliy-i-’Adlíyyih
1.14 Risáliy-i-Dhahabíyyih
1.15 Risáliy-i-Fíqhyyih, revelada em Búshihr.
1.16 Risáliy-i-Furú’-i-‘Adlíyyih
1.17 Sahífatu’l-Haramayn (Epístola entre dois Santuários) revelado entre Meca e Medina em Janeiro de 1845. Trata-se da respostas às questões do líder Shaykhí, Mírzá Muhít-i-Kirmání.
1.18 Sahífiy-i-Ja’faríyyih
1.19 Sahífiy-i-Makhzúnih
1.20 Sahífiy-i-Radavíyyih
1.21 Súriy-i-Tawhíd
1.22 Tafsír-i-Nubuvvat-i-Khássih
1.23 Zíyárat-i-Sháh-‘Abdu’l-‘Azím
(“Bahá’í World”, vol.  XVIII, pp. 834-5 )

2) PROFECIAS DO BÁB RELATIVAS A BAHÁ’U’LLÁH

Para citar as profecias relativas a Bahá’u’lláh, citaremos a priori os principais títulos atribuídos a Bahá’u’lláh na Escrituras Bábis: A Glória, a Luz, O Esplendor de Deus, O Senhor dos Senhores, O Tesouro Preservado, Aquele que Deus tornará manifesto, A mais Grandiosa Luz, O Altíssimo Horizonte, O Mais Grandioso Oceano, O Supremo Céu, A Raíz Pré-Existente, O Subsistente por si próprio, O Sol do Universo, O Grande Anúncio, Quem fala do Sinai, O Peneirador de Homens, O Injuriado dos Mundos, O Desejo das Nações, O Senhor do Convênio, A Árvore além da qual não há Passagem , A Essência do Ser, O Remanescente de Deus, O Mestre Onipotente, A Luz Carmesim Toda Circundade, O Senhor do Visível e do Invisível, O Único Motivo de todas as Revelações precedentes inclusive a Revelação do próprio Qá’ím e O Horizonte de Abhá.

2.1) Qayyúmu’l-Asmá ( Comentário da Surata de José)

Fui designado para Portador de irrefutáveis provas vindas da presença d’Aquele que é o Remanescente de Deus, há muito esperado (IX p.53)
(…) e juro pelo Deus verdadeiro, O Todo Poderoso, que haverá para Ti ainda outro-turno depois desta dispensação.
E quando tiver soado a hora designada revela Tu, com a permissão de Deus,o Onisciente, das alturas do Monte mais Elevado e Místico, um leve, infinitésimo vislumbre de Teu impenetrável Mistério, para aqueles que tiverem reconhecido o brilho do Esplendor Sinaico possam desfalecer e expirar ao apanharem um tênue reflexo da veemente Luz carmesim que envolve a Tua Revelação.” (. XXVIII p. 59)
Verdadeiramente, Ele não é outro, senão o servo de Deus, o Portal do Remanescente de Deus, vosso Senhor, a Verdade Soberana (XXIX p. 60 )
Ó Tu Remanescente de Deus! Sacrifique-me inteiramente por Ti, aceitei maldições por amor a Ti e jamais ansiei por outra coisa, senão o martírio no Caminho de Teu amor. (LVIII p. 65 ).
Ó Servos de Deus! Sede pacientes, porque – permita Deus – Aquele que é a Verdade soberana de súbito entre vós aparecerá,…(LIX p. 65 )
…, a fim de que Ele vos possa purificar e livrar as máculas, em antecipação do Dia de Deus Uno e Verdadeiro, … (LXII p.. 67)
(XCIV p. 74)
Assim Deus, Quem a tudo abrange, em Seu Livro Preservado se referiu a Ele como o “Injuriado”, e, por não ser distinguido dos olhos dos homens, Ele, de acordo com o juízo do Livro , foi intitulado  “o Desconhecido” …(XII p. 75)
Ó Quriatu’l- Áyn! Eu nenhum outro reconheço em Ti reconheço, salvo o “Grande Anúncio”- O Anúncio expresso pela Assembléia no alto. Por este nome – dou testemunho – os que circundam o Trono da Glória sempre Te têm conhecido. (LXXXVIII p. 78 )
(LXXVII p 79 )

2.2) O Bayán Persa

O Bayán Persa contém a maioria das referências relativas a revelação de Bahá’u’lláh.
SHOGHI EFFENDI (1981) afirma que:
… o tesouro que encerrava a maior parte das referências e dos tributos do Báb ‘Aquele que Deus tornara manifesto’ bem como sua advertência a seu respeito. ( p 59)
Dentre as referências escatológicas do Báb podemos destacar:
No Dia de Ressurreição Deus. em verdade, julgará todos os homens, e nós todos, verdadeiramente, imploramos Sua graça. (V,19. p. 85 ).
Quando que faças menção d’Aquele que Deus haverá de tornar manifesto, somente então – sabe tu com certeza – estás fazendo menção de Deus.( VIII, 19 p. 86)
(p. 89 2º parágrafo VIII, 14 )
(p.. 90 e 91 V, 5.)
(p.. 91 e 92 ,2º e 3º parágrafos, V, 19.)
(…) o Dia da ressurreição, o qual assinala a aurora da Revelação d’Aquele que Deus tornará manifesto. (p.92 VI, 16).
No tempo do aparecimento d’Aquele que Deus tornará manifesto, os de maior destaque entre os eruditos, como também os mais humildes dos homens, senão, igualmente, julgados. (p. 96 IV, 18)
(p. 97 (VII, 9)
Ó povo do Bayán! Se acreditais n’Aquele que Deus haverá de tornar manifesto, tal crença é para vosso próprio benefício. Ele tem sido e para sempre permanecerá independente de todos os homens. (p.98 VII, 15)
Se porventura, pois vires no Dia de Ressurreição, o espelho de teu coração será volvido para Aquele que é o Sol da Verdade; e assim que Sua Luz se irradiar, de imediato seu esplendor se refletirá em teu coração. Pois Ele é a Fonte de toda a bondade e a Ele revertem todas as coisas. Se, porém Ele revertem todas as coisas. Se, porém, Ele aparecer enquanto tiveres a ti próprio te volvido em meditação, isso de nenhum proveito a ti será, a menos que menciones Seu nome por palavras que Ele haja revelado. Pois na Revelação prestes a vir, é Ele Quem é a Lembrança de Deus, enquanto as devoções que tu presentemente oferecer foram prescritas pelo ponto do Bayán, e Aquele que brilhará resplandecente no Dia da Ressurreição é a Revelação da mais íntima realidade encerrada no Ponto do Bayán – Revelação essa mais potente , imensuravelmente mais potente, do que aquela que a precedeu. (IX, 4 p. 99).

O propósito que baseia esta Revelação, bem como aquelas que a precederam, foi, outrossim, o de anunciar o advento da Fé d’Aquele que Deus tornará manifesto… (IV,v. 12, p. 110).

BÁB apud SHOGHI EFFENDI (1981):
Bem aventurado aquele que fixa os olhos na Ordem de Bahá’u’lláh e agradece a seu Senhor. Pois Ele, seguramente, será tornado o manifesto, Isso em verdade, Deus ordenou, irrevogavelmente no Bayán. (III p. 60).

2.3) Kitáb -i- Asmá’ ( O Livro dos Nomes)

Não considereis os outros, senão como a vós mesmos considerais, a fim de que nenhum sentimento de aversão prevaleça entre vós, de tal modo que vos possa excluir d’Aquele que Deus haverá de tornar manifesto, no Dia da Ressurreição. A vós todos compete ser um só povo indivisível; assim devereis voltar Aquele que Deus haverá de tornar manifesto. (XVI, 19 p.133).
Devereis agir de tal maneira como a Deus, vosso Senhor, aprouvesse, vindo assim a merecer o beneplácito d’Aquele que Deus haverá de tornar manifesto. (XVI, 19 p.133).

…, no Dia da Ressurreição, não vos ocupeis em argumentos, nem disputeis com Aquele que Deus haverá de tornar manifesto. (XVII,16 p.137)

Atentai, pois para que vos não impeçais de atingir a presença d’Aquele que é o Manifestante de Deus, apesar de haverdes, dia e noite, estado orando para que possais contemplar Seu Semblante; e tomai cuidado para que não sejais privados de atingir o oceano de Seu beneplácito quando, perplexos, em vão vagardes pela terra em busca de uma gota de água. (XVI,13 p.141)

REFERÊNCIAS
ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL DOS BAHÁ’ÍS DO BRASIL, Fé Bahá’í Verbetes e Errata. Porto Alegre: Dp. Bahá’í de Informação Pública 1982
CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA (org.) Seleção dos Escritos do Báb. trad. L.S. Armstrong. Rio de Janeiro: Ed. Bahá’í do Brasil, 1978.
BAHÁ’U’LLÁH. Kitáb-i-Íqán – O Livro da Certeza. trad.L.S. Armstrong, Rio de Janeiro: Edf. Bahá’í do Brasil, 1977.
NABÍL-I-A’ZAM, Rompedores da Alvorada: A Narrativa de Nabíl, trad. L.S. Armstrong .vol I & II Rio de Janeiro: Ed. Bahá’í do Brasil, 1989.
SHOGHI EFFENDI, Presença de Deus., trad. L.S. Armstrong & J. S. Oliveira, Rio de Janeiro: Ed. Bahá’í do Brasil, 1981.
SMITH, P. The Babí & Bahá’í Religions: From messanic Shi’ísm to world religion.  Cambridge: Cambridge University Press and Geoge Ronald Publisher, 1987.
ZOHOORI, E. Names and Numbers – A Bahá’í History Refrence Guide. Jamaica: Caribean Printers Limited, 1990.