Bahá’u’lláh

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Santuário de Bahá´u´lláh em Bahjí – Akká

Mírzá Husayn ‘Ali (1817-1892), conhecido como Bahá’u’lláh (“A Glória de Deus”) foi o Fundador da Fé Bahá’í. Nasceu em Teerã, em 12 de Novembro de 1817. Descendente dos reis sassânidas da Pérsia, a família de Bahá’u’lláh era muito influente e Seu pai ocupava o cargo de vizir, ou Ministro do Estado, na corte do Xá. De acordo com relatos escritos sobre Sua infância, Bahá’u’lláh nunca freqüentou a escola e os poucos ensinamentos que recebeu Lhe foram ministrados no próprio lar. Desde pequeno demonstrava um grande conhecimento, a ponto de torná-Lo alvo de admiração dos demais ministros e outras pessoas da corte. Quando jovem, tornou-Se famoso por Sua sabedoria e conhecimento, e Suas explanações sobre intrincadas questões religiosas causavam o assombro dos mais eminentes sacerdotes muçulmanos. Aos 22 anos, tendo falecido Seu pai, o governo persa desejou que Bahá’u’lláh ocupasse o cargo de ministro, mas Ele recusou a oferta.

Cinco anos mais tarde, Bahá’u’lláh ouviu falar dos ensinamentos de um jovem Siyyid (descendente de Muhammad) que se intitulava o Báb (“O Portal”). Este jovem proclamava ser a nova “Manifestação de Deus” que Muhammad havia prometido. Além de fundar uma nova religião, o Báb dizia que Sua Missão mais importante era anunciar o breve aparecimento de um Manifestante de Deus ainda maior do que Ele. Este prometido do Báb- “Aquele Que Deus Tornará Manifesto”- seria o “Prometido de todas as religiões”, e estabeleceria, definitivamente, a unidade e a paz mundiais.

Bahá’u’lláh abraçou imediatamente a Causa do Báb, e, abandonando fama e fortuna, sofreu as perseguições que foram impostas aos Bábís pelo governo e pelos sacerdotes muçulmanos. Logo se tornou um dos mais amados e respeitados expoentes da Fé Bábí. Após o martírio do Báb, em 9 de julho de 1850, Bahá’u’lláh foi novamente aprisionado e torturado com a bastonada. O terceiro aprisionamento, que durou quatro meses, foi no terrível “Fosso Negro”, uma prisão subterrânea em Teerã. Este aprisionamento de Bahá’u’lláh, em 1852, bem como a sucessiva onda de terror imposta pelo governo, que causou o martírio de mais de 20000 Bábís, foi conseqüência de um atentado contra a vida do Xá realizado por um seguidor do Báb que enlouquecera devido ao Seu martírio. Apesar de Bahá’u’lláh nada saber a respeito do fato, o que ficou provado nas cortes islâmicas, os sacerdotes convenceram o governo a aprisioná-lo.

Enquanto estava confinado naquele infesto local, Bahá’u’lláh recebeu a Revelação Divina, e tornou-se consciente de Sua Missão futura.

Ao sair da prisão, Bahá’u’lláh foi exilado para Baghdád, no então Império Otomano (hoje Iraque). Foi no Jardim de Ridván, nas cercanias de Baghdád que, em 1863, Bahá’u’lláh proclamou ser o Grande Manifestante de Deus prometido pelo Báb- “Aquele Que Deus Tornará Manifesto”, “Aquele Esperado por Todas as Religiões”, que instituiria o “Reino de Deus na Terra”.

Imediatamente após a declaração pública, Bahá’u’lláh e Sua família e alguns seguidores foram exilados outra vez, agora para Constantinopla, onde permaneceriam quatro meses. Dali, novo exílio os levou a Adrianópolis, sede do Império Turco, onde ficariam quatro anos e meio. Nesta cidade, Bahá’u’lláh iniciou a proclamação de Sua Missão às principais coroas da Europa e da Ásia, ao papa, bem como aos presidentes das repúblicas americanas e aos sacerdotes cristãos, zoroastrianos, judeus e muçulmanos, coletivamente. Estas epístolas, escritas por volta de 1868, tornaram-se conhecidas como as “Cartas aos Reis”. Nelas, Bahá’u’lláh exortava os governantes ao estabelecimento da concórdia e da unidade mundiais. Alertava-os para as graves conseqüências da tirania e do despotismo e anunciava claramente a Nova revelação de Deus.

A grande maioria dos Bábís abraçou a nova Manifestação, tornando-se conhecidos como Bahá’ís. Trata-se de um exemplo único na história da humanidade- no qual a quase totalidade dos seguidores da religião anterior aceitou o novo Profeta e a nova Revelação.

A pequena minoria de Bábís que não reconheceu “Aquele Que Deus Tornará Manifesto” reuniu-se em torno de um meio-irmão de Bahá’u’lláh, Mírzá Yahyá, conhecido como Subh-i-Azal. Este, motivado pela inveja, com o auxílio de seus seguidores, convenceu o governo turco a exilar Bahá’u’lláh para a cidade fortificada de ‘Akká (Acre) na Palestina, então tida como a pior prisão do vasto Império Turco-Otomano. Mírzá Yahyá, no entanto, vítima de suas próprias intrigas, foi exilado para Chipre, abandonado também por aqueles que, por algum tempo, se denominaram Azalís.

Em ‘Akká, por quase dois anos, Bahá’u’lláh ficou encarcerado com Sua família e alguns discípulos no quartel da cidade, transformado em prisão. Nesta época, vários discípulos, bem como o filho mais moço de Bahá’u’lláh, vieram a falecer. A requisição do quartel pelo exército turco permitiu que os prisioneiros fossem viver em casas, se bem que ainda dentro dos muros da cidade. Este confinamento em ‘Akká durou o todo nove anos. Durante esta época foi revelado o Kitáb-i-Aqdas, “O Mais Sagrado Livro”, que contém as Leis da Revelação Bahá’í.

Apesar de ainda ser considerado um prisioneiro pelo governo central, Bahá’u’lláh veio a ser grandemente respeitado pelas autoridades governamentais e eclesiásticas de ‘Akká e, a pedido delas, passou os últimos anos de Sua vida em Bahjí, uma residência próxima da cidade-prisão, até vir a falecer em 29 de maio de 1892.

Em 40 anos de aprisionamento e exílio, Bahá’u’lláh escreveu mais de 100 obras que hoje são preservadas nos Arquivos Internacionais da Fé Bahá’í, e seu Centro Mundial no Monte Carmelo, Haifa, Israel. Nestas obras são encontrados os ensinamentos que guiam a Comunidade Internacional Bahá’í. A igualdade entre os homens e as mulheres; a harmonia entre a ciência e a religião; a eliminação de todos os preconceitos: religiosos, raciais, nacionalistas e sociais; a necessidade da unidade mundial, com um estado federativo de todas as nações; um idioma internacional auxiliar; a proteção da diversidade cultural; a eliminação dos extremos de pobreza e riqueza e a independente investigação da verdade, livre de tradições e preconceitos, são alguns destes ensinamentos. Mas, acima de tudo, distingue-se acima de tudo a inequívoca afirmação de Bahá’u’lláh sobre a unicidade de Deus, a unicidade da religião e a unicidade da humanidade. Há apenas um Deus, incognoscível, que revela Sua Palavra à humanidade através de Profetas ou Manifestantes de Deus. Todas as religiões estabelecidas por Ele são complementares e representam estágios na evolução espiritual da humanidade, revelados de acordo com os requisitos de cada época. Toda a humanidade foi criada pelo mesmo e único Deus, e as diferenças entre os povos não devem ser motivo de divisão e antagonismo. “A Terra é um só país; e os seres humanos, seus cidadãos”- é a afirmação de Bahá’u’lláh.

Os Bahá’ís reconhecem Bahá’u’lláh como a mais recente Manifestação de Deus ao homem, cujo advento cumpriu as profecias de todas as religiões: de um tempo em que seria estabelecida a paz e a unidade entre os povos – o “Reino de Deus na Terra”. Bahá’u’lláh não é colocado acima de qualquer Manifestante do passado, como Krishna, Zoroastro, Buda, Moisés, Cristo, Muhammad e Báb. Tampouco Sua Revelação é tida como a última. Futuras Manifestações de Deus se sucederão, continuando o eterno processo de educação espiritual da humanidade.

Referências

ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL DOS BAHÁ’ÍS DO BRASIL, Fé Bahá’í Verbetes e Errata. Porto Alegre: Dp. Bahá’í de Informação Pública, 1982.