Especialistas em direitos humanos da ONU clamam para que o Irã pare a destruição de cemitério em Shiraz

Especialistas em direitos humanos da ONU clamam para que o Irã pare a destruição de cemitério em Shiraz

 

 

 

Três especialistas de alto nível em direitos humanos das Nações Unidas pedem que o Irã cesse a contínua destruição de um histórico cemitério bahá'í em Shiraz. No texto, Heiner Bielefeldt (relator especial sobre liberdade de religião), Ahmed Shaheed (relator especial sobre a situação de direitos humanos no Irã), e Rita Izsák (especialista da ONU sobre questões de minorias), disseram estar "chocados" diante da retomada da demolição em agosto. "Cemitérios, como lugares de adoração, são uma parte essencial do modo das pessoas exercerem e manifestarem seu direito à liberdade de religião ou crença. Sua importância vai além sua presença física. Ataques a cemitérios são inaceitáveis e constituem uma violação deliberada da liberdade religiosa", afirma Bielefeldt. O texto ainda diz que "o governo do Irã deve tomar uma atitude urgente".

Cerca de 950 pessoas estão sepultadas no cemitério, muitas delas foram figuras históricas ou proeminentes da Comunidade Bahá'í do Irã. Inclusive estão sepultadas dez mulheres bahá'ís cujo enforcamento cruel em 1983 passou a simbolizar a implacável perseguição do governo.

A demolição do local começou em abril, pela Guarda Revolucionária, sob a justificativa da construção de um novo centro esportivo e cultural. Algumas semanas depois a demolição foi interrompida em face da pressão internacional e expressão de indignação da parte de iranianos de todas as camadas sociais. Porém, em agosto chegaram relatos do Irã de que a Guarda Revolucionária retomou a destruição e removeu os restos de cerca de 50 túmulos, despejando concreto para o alicerce da construção.

Diante dessa situação Shaheed afirma que "os bahá'ís possuem ritos e práticas religiosas para o enterro de seus mortos em seus próprios cemitérios e o governo tem a obrigação não somente de respeitá-los, mas protegê-los de destruição".

Membros da comunidade bahá'í de Shiraz apelaram para as autoridades locais para dar um basta à construção, propondo ainda o acordo de que o complexo esportivo poderia ser construído na propriedade, à parte das áreas em que os bahá'ís estão sepultados, enquanto o cemitério propriamente dito seria transformado em área verde. Entretanto, as autoridades locais afirmam não possuir controle sobre os Guardas Revolucionários que adquiriram a propriedade cerca de três anos atrás.

Diane Ala'i, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra, deu as boas vindas à declaração dos três oficiais da ONU. "Somos gratos pela forte posição tomada por esses três especialistas em direitos humanos quanto à situação em Shiraz. A declaração de Dr. Bielefeld, Dr. Shaheed, e Sra. Izsák é um sinal claro para o Irã de que esses atos são completamente inaceitáveis e que é responsabilidade do governo manter e reforçar seu compromisso com a lei de direitos humanos, independente de quem sejam os perpetradores", afirma Ala'i.

Para mais informações acesse www.bic.org

Fonte: http://www.bahai.org.br/noticias/especialistas-em-direitos-humanos-da-onu-clamam-para-que-o-ira-pare-destruicao-de-cemiterio